Mudança no comportamento do consumidor molda tendência da nova economia de baixo contato
- Cláudia Gomes
- 2 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de abr. de 2021
Patatá Lanches aposta em novo modelo de negócio para driblar os efeitos da crise econômica provocada pelo novo coronavírus.
Em um curto espaço de tempo, a pandemia do novo coronavírus está ceifando vidas no mundo inteiro, modificando a geografia populacional, e o que se presencia é a transformação do modo de vida ao qual estávamos acostumados. Os impactos estão gerando novos hábitos e comportamentos neste novo contexto social que, de acordo com especialistas, irão permanecer em maior ou menor escala, como, por exemplo: o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, o acesso ao comércio eletrônico e, naturalmente, diversos processos de logística. Espera-se que isso passe logo, mas o fim parece cada vez mais distante. Já se fala no fim da globalização e em uma nova economia.

A revista The Economist – considerada a bíblia das finanças, trouxe, na capa, em sua edição de 14 de maio, o adeus à globalização. A matéria mostra que a tendência é diminuir, ainda mais, o fluxo de pessoas, comércio e capital no retorno às atividades.
“À medida que as economias reabrem, a atividade se recuperará, mas não espere um rápido retorno a um mundo despreocupado de movimento livre e livre comércio. A pandemia politizará as viagens e as migrações e criará um viés para a autossuficiência. Essa mudança interior enfraquecerá a recuperação, deixará a economia vulnerável e espalhará a instabilidade geopolítica” (The Economist).

A Board of Innovation (Conselho de Inovação), em recente estudo, usa o termo Economia de Baixo Contato para descrever o novo estado da sociedade e economia que foi, permanentemente, alterado pela Covid-19. O relatório, que contém 104 páginas, aponta novas necessidades do consumidor como forma de proteção ao vírus. Assim, surgirão atividades e serviços que passarão a ser imprescindíveis para o bom andamento dos negócios, como: atendimentos médicos por videoconferências, o aumento de trabalho home-office, lives, Delivery, atendimentos através de plataformas que darão margem a novos modelos de negócios, como a fusão de restaurantes.
Clique aqui e tenha acesso ao estudo completo.
A incrível habilidade de adaptação
É a situação de crise que revela o quanto a sociedade é incrivelmente adaptável quando necessário. Assim como em todo o mundo, empresas de pequeno porte e profissionais liberais (podemos dizer, os mais afetados), estão se reinventando para sobreviver durante a pandemia.

Em Morro do Coco, 12º Distrito de Campos, interior da região Norte Fluminense, encontramos comerciantes e empreendedores que estão, gradativamente, se adequando ao novo cenário de crise econômica. Thamiris Cunha e Paulo Sérgio Mendes, proprietários da Lanchonete Patatá Lanches, dividiram com nossa equipe de reportagem, as dificuldades e vitórias durante a adaptação de novas estratégias para manter de pé o negócio do casal, que começou em 2015.

Com a chegada do alerta de pandemia da Covid-19, a empresária Thamiris conta que a primeira ação foi parar todo o seu efetivo para conscientizá-lo sobre a importância da situação de emergência e aplicar, durante o atendimento, as orientações do Ministério da Saúde (MS). “Imediatamente, criei minhas próprias regras no trabalho interno usando as orientações do MS. Distribuímos máscaras, álcool em gel e luvas para os atendentes e os entregadores. A regra, desde o início, foi fazer uso do álcool em gel antes de pegar qualquer lanche e depois de cada entrega”, declarou a empresária.
O choque de realidade
O que mudou foi: “Eu tive que reaprender a trabalhar no meu ramo, porque, apesar de já trabalhar com delivery, apenas 50% da renda vinha desse serviço; e o restante, da lanchonete, no atendimento presencial. Então, eu tive que me reinventar. Precisei aguardar a reação do meu cliente pelo menos na primeira semana. E, assim, sofremos um choque de realidade muito grande, porque não batemos nem a metade da meta semanal que costumamos vender. Eram seis funcionários para pagar, sem contar comigo e meu esposo. E ainda tinham os fornecedores. Foi assustador nessa primeira semana!”, desabafou Thamiris.
A virada
“A equipe viu que não havia serviço para oito funcionários. Então, eu e meu esposo decidimos ir para casa e pensar uma estratégia para não dispensar a equipe, pois sabemos da importância desse emprego para todos eles. Então, decidimos por uma escala de trabalho com revezamento a cada três funcionários por noite. Realocamos as atendentes para outras funções e, assim, conseguimos nos reinventar trabalhando com efetivo reduzido e, na terceira semana, já começamos a ter os primeiros resultados. Graças a Deus, hoje já estamos chegando à normalidade das nossas metas, sem abrir as portas, e seguindo todas as normas da OMS”, relatou Thamiris.
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