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Nos trilhos da memória

Atualizado: 3 de mar. de 2020

Um passeio nas Estradas de Ferro Leopoldina


Convidamos você para uma viagem incrível a um tempo que não volta mais. O tempo em que o trem era o único meio de transporte para a locomoção de moradores para lugares mais distantes.

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Estação de Campos, em 14 de dezembro de 1996. Foto: Ralph M. Giesbrecht.

Ainda durante o período monárquico, época em que Dom Pedro II era Imperador do Brasil, entre os anos de 1870 e 1880, foram inauguradas diversas estações ferroviárias, que recebiam tudo o que era produzido na região e despachado para a então capital do Brasil, Rio de Janeiro.


Em Santo Eduardo, 13º Distrito de Campos, por exemplo, passava boa parte da produção agrícola do vale do Itabapoana e que, antes, desde 1864, chegava ao porto fluvial de Limeira, no rio Itabapoana.


Foi em 1907 que a Companhia Estrada de Ferro Leopoldina construiu uma ponte sobre o Rio Paraíba em Campos, unindo os dois trechos, o norte ao sul do Rio.


As linhas ferroviárias que cortam nove Distritos de Campos: Travessão, Guandu, Conselheiro Josino, Vila Nova, Murundu, Paraíso, Santa Isabel, Santa Maria de Campos e Santo Eduardo, administrada atualmente pela Ferrovia Centro Atlântica – FCA, em concessão de 30 anos com uma malha ferroviária extensa de aproximadamente 7.215 km, abrangem cidades de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de cidades nos Estados de Sergipe, Bahia, Goiás e Distrito Federal. No passado, foram fundamentais para o desenvolvimento da região Norte de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil.


Eram sobre trilhos que vagões cargueiros escoavam boa parte da produção agrícola, entre eles o café e o açúcar para a capital do Rio de Janeiro, para o Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Mas não era somente o café que estava entre a paixão nacional, e que se espalhou por diversos países, nem apenas o açúcar, que faz a combinação perfeita, que eram transportados sobre trilhos: mais do que apenas produtos agrícolas, as ferrovias serviram, no passado, como meio de transporte para pessoas de diferentes classes sociais, oferecendo preços acessíveis, divididos em primeira, segunda e terceira classe. Mais do que transportar produtos, o comprometimento era de transportar vidas, tornar encontros possíveis, realizar sonhos, tudo isso através dos trilhos em que, em meio às belas paisagens da região Norte do RJ e Sul do ES, circulavam os trens na época.


Diversas companhias prestavam serviços na região, alguns trens chegavam a ter mais de 20 vagões, saindo todos os dias com uma grande quantidade de passageiros que se deslocavam para outras cidades. Era o caso do Trem Cacique, que teve o nome escolhido após um impasse entre capixabas e campistas. Os capixabas queriam que o trem fosse chamado “Aymorés” homenageando assim a tribo da região, mas os campistas queriam que fosse Goytacá, dando destaque aos índios que habitavam a cidade. Com isso, ficou decidido que o trem se chamaria “Cacique”, fazendo, assim, a história, que viajou pelos trilhos e pelo tempo.


São tantas histórias que ocorreram durante esse período, que daria para escrever um livro ou até mesmo fazer um filme. Para a geração mais antiga e que vivenciou tudo isso de perto, resta a saudade de um tempo que não volta mais, de um tempo em que o trem era o único meio de transporte para a locomoção dos moradores para lugares distantes. Era por Santo Eduardo que passavam os trens vindos de Cachoeiro de Itapemirim (ES) com destino ao Rio de Janeiro, passando também por Campos. “É muito frustrante termos uma obra tão bonita e rara na nossa comunidade, mas abandonada desta forma. A estação tem tudo para ser considerada um patrimônio cultural de Campos dos Goytacazes. Um monumento com arquitetura genuinamente inglesa, muito bem planejada”, ressaltou o fotógrafo Lenilson Werneck (Entrevista cedida ao Blog Luiz Carlos Gomes em 26 de março de 2017).


Construída entre os séculos XVIII e XIX, em Campos dos Goytacazes, a rede ferroviária tem suas estações espalhadas por diversos pontos do Município, tendo algo muito peculiar e que passa por despercebido aos olhos de quem circula pelas suas proximidades. Foi com uma arquitetura inspirada nas estações inglesas que foram construídos esses prédios fantásticos que resistem ao tempo.


A linha funciona até hoje para cargueiros e é operada pela FCA desde 1996. No entanto, foi no início dos anos 80 que deixaram de circular os trens de passageiros que uniam cidades do Rio de Janeiro a cidades do Espírito Santo.



 
 
 

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