Os desafios da mulher contemporânea
- Maiara Barros
- 4 de fev. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 19 de mar. de 2021

Começo essas linhas pensando como nós mulheres, somos incríveis! SIM, INCRÍVEIS. Vou explicar o porquê.
Mas antes disso, quero me apresentar. Sou Maiara Barros, empresária, dona de casa, casada e mãe 24 horas, rs. Me deparo com varias lutas diárias, na área profissional e na materna, assim como milhares de mulheres. Digo lutas, pois só quem vive ou está próximo de uma mulher que é mãe e trabalha fora, sabe o dilema que é, estar nesse cenário. E é sobre esse assunto que quero conversar com você.
Assim que comecei a trabalhar há seis anos atrás, com apenas um mês de trabalho me descobri grávida. Na época, o que eu senti foi um misto de sentimentos. Uma felicidade infinita por causa daquela surpresa maravilhosa de ter a confirmação de que havia um ser dentro de mim. Mas, junto com isso, vieram as preocupações: ‘e agora? ’, ‘mãe?’, ‘e o trabalho?’, ‘como vou conciliar filho e trabalho?’, ‘será que vou ser uma boa mãe?’. Mil perguntas e apenas uma certeza, a de que no final daria tudo certo.
Bem o tempo foi passando a barriga foi crescendo, e graças a Deus minha gravidez foi uma benção, não tive problemas. Até que chegou o dia da minha princesa nascer. O momento mais feliz da minha vida. Ela nasceu maravilhosamente bem, cheia de saúde e linda. Até que chega o dia de eu retornar ao trabalho e foi nesse momento que começou a correria, a culpa e a frustração.
Correria: Pois eu tinha que dar conta de filho, trabalho e casa. Durante a noite, acordava de três em três horas para amamentar e no outro dia tinha que estar de pé cedo para trabalhar. Isso me deixava exausta. Me pegava muitas vezes ainda no meu expediente fazendo lista de supermercado, para que na volta para casa pudesse comprar o que estava faltando. Sem contar das roupas que teria que pôr na máquina, da louça do almoço que não dava tempo de lavar, da janta da minha família que eu teria que preparar e a atenção da bebê e do marido que eu me desdobrava pra dar.
Culpa: Me sentia culpada por ter que deixar a minha filha aos cuidados de outra pessoa para trabalhar. Haviam vezes no final do dia, que a impressão que eu tinha era que ela não queria meu colo. Minha vontade era largar tudo e ficar com ela. Mas, eu sabia que além de mãe eu era uma profissional e eu teria que dar conta das duas funções.
Frustração: Pois, quase sempre não conseguia dar conta de tudo como gostaria, e acabava me sentindo mal. Eu queria abraçar o mundo, ser a melhor mãe, a melhor profissional e a melhor esposa. E na prática não me sentia assim.
Acontece que com o tempo eu descobri uma coisa fantástica. Hoje, vejo que apesar de ter sido muito difícil conciliar esses dois papéis, não foi impossível. Descobri que a culpa não é nossa. Existem muitos fatores que contribuem para nós, mães, nos sentirmos assim. E parte desta culpa é do sistema que gira em nossa sociedade. Todos nós sabemos que mãe é quem leva ao médico, quem vai à reunião da escola, ela sabe o que fazer nas emergências e tem que estar disponível sempre, mãe é a primeira opção da escola para ligar quando há algo de errado.
Daí, as mulheres vão fazendo o que podem para se multiplicar, e claro, muitas vezes não tem muito como dar certo. Acredito que ser mulher e mãe, por si só, traz essa natureza de abraçar as coisas, de acumular tarefas. A gente acaba tendo uma rotina cheia de questões a serem resolvidas: trabalho, educação dos filhos, organização da casa. Acho também que a própria condição de trabalhar e ser mãe nos coloca em uma situação que requer muita dedicação e atenção. Mas apesar de ter sido difícil e cansativo eu venci todos esses estágios. E com um pouco de administração de tempo, eu vi que pude resolver muitas coisas e manter o meu dia em harmonia com minhas atividades.
Agora, imagine você! Como seria toda esta rotina de vencer esses desafios e ainda ter que inserir o estudo na lista de afazeres? Tenho uma amiga que vive isso. Ela trabalha, faz curso e os estágio uma vez por semana e ainda é mãe. Como somos muito amigas, acompanho de perto sua exaustiva rotina. O que é legal, e o mesmo tempo até engraçado, é que vejo nela uma mãe do futuro. Já no domingo, ela organiza toda a programação de sua rotina para a semana. Como ela não dispõe de alguém para ficar integralmente com a filha durante sua ausência, nós – eu, a sogra e algumas amigas, que estamos mais próximas, nos revezamos e juntas conseguimos administrar o tempo e as atividades com excelência.
E como enxergo isso? Vejo nela uma mulher guerreira com M maiúsculo, como muitos dizem dos homens. Mas, sei que não existe só ela vivendo esse cenário. Temos ao nosso redor, milhares de outras guerreiras que dão o seu melhor como Mãe, profissional e Mulher.
Creio que, antes da sociedade perceber esses valores em nós mulheres e mães, é importante que nós mesmas saibamos que somos mulheres incríveis e pudemos sim, dar conta do recado.
Quero deixar a seguinte pergunta para vocês. Como ficou sua carreira depois da maternidade? Ou melhor como ficou sua maternidade após você retornar para sua carreira?
Vamos dividir nossas experiências e ajudar outras marinheiras de primeira viagem. Me envie e-mail para maiarabarros@jornalonegocio.com.br. Sua história pode ser a próxima a ser contada aqui.
Até a próxima!
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