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Superação e Resiliência

A história da fotógrafa que se reinventa a cada novo cenário de sua vida.

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Fotógrafa Ana Cláudia Fernandes já teve suas fotos exposta fora do Brasil. Foto: Severino Silva

Convivendo com dificuldades na infância, em que chegou a passar fome, tendo um irmão preso por ligação com o tráfico e chegando a se envolver com o jogo do bicho, Ana Cláudia Fernandes Cavalcante resolver dar uma guinada em sua vida ao fazer o curso de fotografia. Após se formar e começar a trabalhar para o jornal O Dia, mais uma vez a vida apareceu com uma surpresa desagradável.

Em 2017, ela foi uma das vítimas de um atropelamento causado por um carro alegórico na Marquês de Sapucaí, no Sambódromo do Rio de Janeiro. Atingida pelo veículo da escola de samba Paraíso do Tuiuti, pensou por instantes que morreria durante o acidente. Mas sobreviveu. Passando dificuldades financeiras por não conseguir voltar a trabalhar imediatamente, Cacau chegou a se alimentar por meses apenas com ma carrão instantâneo, mas novamente deu a volta por cima. Após fazer um acordo financeiro com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Cacau deu entrada na tão sonhada casa própria, não apenas para ela como para os filhos. Além disso, foi responsável por fotografar o casamento da atriz Mayana Neiva, do aniversário de Paolla Oliveira, fez registros de Regiane Alves, integrou o projeto "Fotógrafos do Bem" em parceria com outros profissionais do ramo e estava colhendo os frutos do belíssimo trabalho. Até surgir a pandemia do Coronavírus.

Com o avanço da doença e o isolamento social imposto pelo governo, o serviço de fotografia caiu e consequentemente, a profissional passou a se preocupar com a falta de dinheiro durante este período. Neste momento, Cacau encontra uma nova solução, fazer bolo para vender no condomínio onde mora. “Eu passei a fazer bolo quando a coisa começou a apertar. Depois que uma noiva que eu fotografei para um ensaio morreu com suspeita da Covid-19, todos os ensaios programados para outros casamentos foram cancelados. Com isso as despesas estavam aumentando. Daí pensei no que fazer e percebi que no prédio onde moro muita gente vende de tudo, menos bolo. Fiz um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que foi muito elogiado. Daí continuei fazendo e aceitando encomendas”, conta Cacau. O novo projeto começa a dar certo e em um dia ela fez 20 bolos, chegando a vender cada um por R$ 45. Porém, como a fôrma era muito grande, ela passou a usar uma menor e de repente foi surpreenda com um aumento, significativo, de suas vendas. A partir daí, outros bolos surgiram. “Como a demanda de bolos de pote é grande, passei a vender muito mais. Além disso, passei a comercializar também os bolos em fatias. Vendo por R$ 6 a fatia ou o pote. E isso fez com que as vendas aumentassem muito. Tem até um cliente que brinca comigo dizendo que eu estou fazendo ele engordar”, conta Cacau, às gargalhadas.

Além do bolo “Explosão de Chocolote” (cenoura com cobertura de calda de chocolate), ela inovou com os outros sabores: morango com cobertura de brigadeiro, abacaxi e ainda faz pudim. Passando a fase da pandemia, Cacau pretende voltar às atividades de fotografia, que é sua paixão.


Por ora, mais saboroso do que as delícias produzidas por suas mãos é saber que sempre há possibilidades de superar todos os desafios e descobrir novas aptidões mesmo em meio às tempestades.



 
 
 

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