Um visionário à frente de seu tempo
- Cláudia Gomes
- 30 de nov. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de out. de 2021
Selecionamos a fantástica história de Nilo Procópio Peçanha para iniciar a editoria MEMÓRIAS REGIONAIS, embora já contada por diversos autores, registramos de maneira sintetizada, parte do início de sua história e as homenagens merecidas, feitas a ele até os dias de hoje.
Nilo nasceu em 02 de outubro de 1867, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, cuja capital até 1975, era Niterói. Filho de Sebastião de Sousa Peçanha, padeiro, e de Joaquina Anália de Sá Freire, descendente de uma família importante na política do norte fluminense, viveu com a família no sítio em Morro do Coco até completar e idade escolar.
Em 1872, seu pai vende o sítio e compra uma padaria na Rua da Quitanda - Nº 40 (Rua Theotônio Ferreira de Araújo). Nilo ainda teve mais quatro irmãos e duas irmãs. Chegou a cursar o primeiro grau em Campos e o secundário (ou segundo grau) em Niterói, capital fluminense e cursou a Faculdade de Direito em São Paulo, concluindo posteriormente em Recife. Sua vida como advogado durou pouco, pois ingressou na política aos 21 anos.
Poucos poderiam imaginar que ele se tornaria um influente político e que até mesmo ocuparia o cargo de Presidente da República, devido aos preconceitos raciais existentes na época, o mesmo era tratado como o “mestiço de Morro do Coco” que de tal forma, era um termo pejorativo e que fazia a alta sociedade exclui-lo do meio político. Só que eles não contavam que Peçanha tinha uma boa oratória, educação e conhecimento, o que fez com que ele em 1890, se elegesse deputado constituinte, de 1891 a 1903 ocupa o mandato de deputado federal e no mesmo ano renuncia ao mandato de deputado para assumir a Presidência (nomenclatura de governador, à época) do Estado do Rio de Janeiro.
Eleito vice-presidente da República em 1906, assume a Presidência em 1909 com a morte do então Presidente Afonso Pena, foi quando apoiou a Agricultura, Indústria e Comércio, criou o Serviço de Proteção ao Índio (nomeado para chefia-lo Marechal Rondon) e investiu maciçamente na Educação, que criou através do decreto nº 7566 de 23 de setembro de 1909, as Escolas de Aprendizes e Artífices com o propósito de educar e proporcionar oportunidades de trabalho para os jovens das classes menos favorecidas. Ao longo dos anos, a instituição passou por diversas transições dando continuidade a Escola Técnica, CEFET e hoje, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.
Nilo Peçanha governou o Estado do Rio em mais um mandato, entre 1914 e 1917 e foi também Senador da República e Ministro das Relações Exteriores. É considerado um dos construtores do Brasil moderno, tendo recebido homenagens em todo o país, inclusive a cidade que leva seu nome, Nilópolis, no Estado do Rio.
Em Campos, seu nome consta em Escolas, Colégios, CIEP, ruas, e avenidas principais da cidade, praça pública, a centenária Biblioteca Municipal e o edifício sede da Câmara de Vereadores – Palácio Nilo Peçanha que recebeu, em 2014, uma estátua sua em tamanho natural e exposições de fotos e documentários.
Em homenagem aos seus 150 anos, em 2017, foi feita a Exposição Iconográfica por Genilson Paes Soares. Em 2018 é lançada a revista Nilo Peçanha em Quadrinhos pela DJS Editores e Distribuidores, com roteiro e arte de Rubens Matos do Couto. Nilo Procópio Peçanha faleceu em 31 de março de 1924, na cidade do Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.
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