O Design de todas as coisas
- Thiago Barreto
- 4 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de jun. de 2020
Houve um tempo em que a profissionalização de um tipo de especialidade se dava pelo simples fato de o empreendedor organizar seus atributos e oferecer serviços a fim de ganhar mercado local. Naturalmente que, com o tempo, tais posicionamentos foram se aprimorando e tomando cada vez mais uma forma abrangente e estruturada. Daí surgiram as profissões, sejam elas as mais conhecidas ou não.

Quando se pensa em um trabalho específico, compreende-se que ele precisa ter uma cartilha, regras que se apliquem exclusivamente a ele. Muitas regras acabam funcionando de forma mais universal, porém cada profissão carrega uma especificidade que a torna única e uma referência em sua área de atuação. A que venho trazer aqui se trata do Designer Gráfico. Ainda que eu seja formado na área há quatro anos e atualmente ministrando aulas eletivas no curso superior, sempre me deparo com novas referências sobre profissionais de determinadas áreas. Alguns apenas se denominam como especialistas, outros usam o nome “design” como forma de compor a atividade em que atuam.
No mercado, há vários ramos que podem ser identificados, como o Designer de interiores, Designer de sobrancelhas, Designer de moda, entre outros. Todos eles simplesmente buscam agregar o valor do conhecimento que a palavra, em si, traz para o nome de seus ofícios. A cada dia que passa, mais atividades surgem contendo o termo junto aos seus específicos atributos.
O nome “design” vem do inglês e significa projeto, criação, desenhar ou planejar. E, assertivamente, quando se utiliza essa palavra no intuito de passar algumas ideias, cria-se um elo firme que amplia o valor do que se está querendo apresentar. Nesse caso, os frutos de uma boa administração se tornam ainda maiores e duradouros. O que não pode se esquecer é que, por trás de todos esses serviços, há um que é responsável pela criação da imagem da empresa ou marca. Assim como o Designer de interiores é responsável por criar um ambiente rigorosamente pensado em cada espaço, um vestido também é desenhado até que se chegue à sua forma final. Mas, será que essas profissões também se utilizam do processo de criação que um profissional Designer gráfico costuma fazer?
Há muito se discute a banalização do termo e de como ele é utilizado como escada para elevar um serviço, fazendo com que tal atuação seja vista com melhores olhos, olhos mais profissionais. Os próprios profissionais da área costumam utilizar apenas a palavra “Designer” para se referirem no mercado de trabalho e isso acaba dando pano para certo desconforto no que diz respeito ao significado real da palavra. Quando alguém diz ser um Designer, sem mais alguma informação, ele com certeza está falando do Designer Gráfico.
Mas, quando qualquer outro profissional de uma área distinta tenta fazer o mesmo, não se torna uma ação funcional, precisando-se do auxílio da especialização direta do que se faz. Com isso quero enfatizar que a própria psique social formulada durante os anos nos fez entender que essa pseudo-hierarquia realmente existe, o que, de longe, se torna algo totalmente refutável.
Além de atuar na elaboração de uma identidade visual, os Designers também são responsáveis por vislumbrar o diferente, o inusitado. Desafios que surgem todos os dias e colocam tais profissionais sempre no cerne da criação, ou seja, há de se compreender todo o universo em que tal marca irá se posicionar, dando a ela uma vida própria e sintetizada perante os observadores. Por isso, talvez, os Designers não veem a necessidade de agregar outra palavra ao seu ofício, pois sempre acreditam representar a primeira de todas as criações. É deveras presunçoso? É, mas não deixa de ser uma divina verdade.
Acredito que nós, profissionais da área, não devemos diminuir ou desmerecer as demais profissões que utilizam a palavra “design” como apoio, afinal, no mínimo elas estarão apenas dando um sentido mais conceitual às suas atuações. Mesmo que muitas vezes o intuito seja apenas crescer o olhar do possível cliente, no final das contas elas nunca terão o privilégio de se apresentar somente como Designer.
Hoje, as ideias são muito mais livres do que antes e mesmo que um cara pegue um trailer e venda hot dogs três vezes mais caro só pelo fato de chamar seu produto de gourmet, no Design sempre prevalecerão o conhecimento e a qualidade do que se é produzido. Se você souber onde está e onde quer chegar, nunca se preocupará com as demais profissões.
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